Relato de atividade em sala de aula

MEU NOME É MAALUM: O PODER DO AUDIOVISUAL NA PRÁTICA DA LEI 10.639/03

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Meu Nome É Maalum
31/10/2025
Sociologia
Pensamento científico, crítico e criativo
Ensino Médio
30
Francilma Ronetia Barbosa Mari
INSTITUTO ESTADUAL DE EDUCACAO CIENCIA E TECNOLOGIA DO MA - IEMA PLENO SAO LUIS ITAQUI BACANGA | MA | São Luís | Estadual





O uso do filme Meu Nome é Maalum na aula de Sociologia para os alunos do 3º ano teve como principal objetivo desenvolver nos estudantes uma consciência crítica sobre as relações raciais e os processos de construção da identidade negra no Brasil, articulando afetividade, ancestralidade e pertencimento. Muito importante para nós, educadores, saber que existe uma plataforma com filmes educativos como o Curta Enem, um projeto que contribui para o cumprimento da Lei 10.639/03 de forma acessível, oferecendo material audiovisual de alta qualidade.

Com base na metodologia do Planejamento Reverso, a aula foi estruturada a partir do resultado esperado: que os alunos compreendessem o papel da representatividade e da resistência cultural na formação de identidades, reconhecendo e valorizando as raízes afro-brasileiras.

O filme contribuiu diretamente para esse propósito ao apresentar, por meio da narrativa de Maalum, uma menina negra que enfrenta o racismo escolar e ressignifica sua dor a partir da ancestralidade, uma representação simbólica e afetiva da vivência negra. Foram explorados elementos como o ambiente familiar afrocentrado, a árvore sagrada como símbolo de conexão com as tradições africanas, os nomes e canções que citam mulheres negras históricas e o contraste entre o espaço doméstico e o espaço escolar. Cada um desses aspectos foi interpretado como fonte de análise sociológica dos processos de socialização, identidade e preconceito.

O filme também permitiu o desenvolvimento de habilidades de leitura crítica de narrativas audiovisuais e a identificação de símbolos de resistência negra na cultura brasileira. O impacto esperado consistia em que os alunos fossem capazes de analisar o racismo estrutural presente nos espaços escolares e sociais, reconhecendo a importância da ancestralidade e do orgulho racial. A escolha do filme como recurso educativo buscou promover empatia, representatividade e diálogo intercultural, consolidando princípios fundamentais de uma educação antirracista e humanizadora.


Usei as três etapas do Planejamento Reverso: definição dos objetivos de aprendizagem, elaboração das evidências e construção das experiências. Na primeira etapa, realizei a exibição e sensibilização com o filme Meu Nome é Maalum. O início foi de observação silenciosa, seguido da escuta da trilha final que menciona mulheres negras históricas, buscando sensibilizar os alunos e criar um espaço afetivo de recepção estética.

Na segunda etapa, ocorreu a interpretação sociológica por meio de um quiz interativo no BookWidgets. Os alunos responderam a sete perguntas abertas sobre identidade, racismo estrutural, representatividade e ancestralidade, abordando desde as referências culturais da casa de Maalum até a importância das mulheres negras citadas na canção final. O formato digital estimulou o engajamento, a autonomia e possibilitou reflexões individuais com feedback imediato. Veja em:  https://www.bookwidgets.com/play/EWuuMk8n-iQAFSmregQAAA/AHBZYAL/meu-nome-e-maal?teacher_id=5129214596743168

Na terceira etapa foi realizada uma pesquisa colaborativa em que os alunos foram divididos em oito grupos. Cada grupo investigou uma das mulheres negras mencionadas na trilha final do filme, entre elas Tereza de Benguela, Dandara, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo. As pesquisas seguiram perguntas orientadoras baseadas nos critérios NARR (Nitidez, Acesso, Rigor e Relevância), o que possibilitou um aprofundamento histórico, cultural e simbólico dessas personalidades. O trabalho resultou em apresentações orais, cartazes e textos reflexivos. Veja em: https://drive.google.com/file/d/14OUBRwokLpC0LQeg14L-nauL1Y1MFk01/view?usp=sharing

Na quarta etapa realizei a mediação com recursos de apoio, oferecendo materiais gerais como livros e dicionários, que serviram de base conceitual sobre racismo e resistência, e recursos específicos para os grupos com maior dificuldade. Essa diferenciação assegurou equidade no processo e reforçou o protagonismo dos estudantes. Entre os recursos utilizados estiveram o filme Meu Nome é Maalum, a plataforma BookWidgets, smartphones, tablets, internet; textos de apoio e dicionário; papel A4, pincéis e materiais de escrita para apresentações.


A aplicação do filme e das atividades produziu resultados expressivos em termos de engajamento, protagonismo estudantil e ampliação da consciência racial crítica. Desde o início, foi possível observar o envolvimento emocional e intelectual dos estudantes com a história de Maalum. As meninas negras, em especial, manifestaram identificação com a personagem e expressaram orgulho de suas origens e famílias.

As discussões em sala de aula revelaram compreensão aprofundada de conceitos sociológicos como racismo institucional, identidade cultural, socialização e resistência. Os alunos compreenderam que o racismo ultrapassa atitudes individuais e constitui uma estrutura social que atravessa a vida cotidiana, inclusive os espaços escolares. As respostas ao quiz apresentaram 100% de aproveitamento, demonstrando que os objetivos de aprendizagem foram plenamente alcançados.

Recebi muitos feedbacks positivos principalmente ao término das apresentações em grupo, onde vários alunos falaram que inclusive o final do filme havia informações relevantes para que eles se colocassem no papel de protagonistas e fossem pesquisar mais a respeito. Uma aluna comentou que o filme levou a refletir sobre seus nomes, símbolos e heranças familiares, além de despertar o interesse em conhecer mais sobre figuras negras históricas. Muitos destacaram que nunca haviam estudado essas mulheres em sala de aula, o que reforçou o caráter inclusivo e reparador da proposta pedagógica. Você pode ver outros feedbacks no link: https://drive.google.com/file/d/1seRksJHw-17ISCFld_rCgebVbfFLHqlh/view?usp=sharing

Entre os desafios identificados, destaco a necessidade de mais tempo para aprofundar as pesquisas e ampliar o repertório histórico dos alunos. Mesmo assim, a metodologia ativa baseada no Planejamento Reverso mostrou-se eficaz ao partir das experiências dos estudantes para construir sentido e conhecimento. Refletindo sobre a minha prática, percebo que o uso do audiovisual em uma educação antirracista é potente quando acompanhado de mediação crítica e intencional. O filme Meu Nome é Maalum favoreceu a aprendizagem significativa, a empatia e o pertencimento, fortalecendo a formação cidadã e ética. Para futuras ações, pretendo incentivar os alunos a criarem seus próprios materiais audiovisuais inspirados no filme, contribuindo para o letramento racial que já demonstra avanços neste Novembro Negro.

 

 

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